Elisabelferriche's Blog

março 17, 2014

Brasília precisa de planejamento

9 de julhoQuem conhece Buenos Aires e passa pela Avenida 9 de julho, que os argentinos teimam em dizer que é a maior avenida do mundo dentro de cidade (a maior e o nosso Eixo Monumental) não vê um único carro estacionado ao longo da avenida. Ao contrário de Brasília, onde o Eixo é tomado por carros parados desde a Praça dos Três Poderes até o último prédio da Esplanada nos dois sentidos.

Em Buenos Aires há um amplo estacionamento subterrâneo, na principal avenida da capital, onde fica o Obelisco e é imagem dos cartões postais argentinos. A mesma solução para a capital do Brasil foi aprovada pelo Conselho de Planejamento Territorial e Urbano do Distrito Federal (Conplan): a possibilidade de construção de garagem subterrânea no gramado central da Esplanada dos Ministérios.

Alguns órgãos, como o Instituto dos Arquitetos do Brasil e o Conselho de Engenharia e Arquitetura foram contrários à proposta que, diga-se de passagem, não é nova. Ela existe desde o primeiro Plano Diretor da cidade que eu tive oportunidade de acompanhar em sua discussão na Câmara Legislativa. O principal argumento dos opositores é de que o governo tem uma concepção de transporte equivocada, sem prioridade no transporte público.

Ora! Quem mora no Plano Piloto, Lago Sul e Lago Norte, Octogonal, Sudoeste e Noroeste e trabalha na Esplanada dos Ministérios dificilmente vai deixar o carro em casa para andar de ônibus por melhor que ele seja, pois os quilômetros andados até um ponto e o gasto com a passagem não compensam deixar o carro em casa. É melhor ir a pé. Ou seja: os estacionamentos são necessários.

Outro argumento, no mínimo ridículo, é de que os acessos, a ventilação e outros equipamentos para esse estacionamento certamente “vão deixar cicatrizes no gramado”, conforme critica feita pelo presidente do IAB-DF, Thiago de Andrade.

Existe em Brasília, não sei se por inocência ou falta de visão, de que nada pode ser feito na cidade. O planejamento ainda é a melhor solução. Ele pode ter vários nomes, pode ser Plano Diretor de Ordenamento Territorial ou Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília (PPCub). Não interessa. Tem que existir.

Lembro-me bem quando da proposta apresentada pelo Governo, na época Joaquim Roriz, para ser votada na Câmara Legislativa, de parcelamento de Vicente Pires, à época uma área de chácaras dadas em concessão pelo governo. A oposição contrária não deixou que o parcelamento ocorresse e o que se vê hoje em Vicente Pires é um amontoado de casas, com ruas sem saídas e uma confusão sem fim.

Os próprios chacareiros gananciosos lotearam as chácaras por conta própria, venderam as áreas e o que se vê hoje é um local inóspito e precário.

O que vemos no Brasil é oposição por oposição, não importa se a proposta é boa. Brasília cresceu como qualquer outra cidade que tem qualidade de vida, empregos públicos (graças aos concursos) e ensino de qualidade (pelo menos melhor do que em muitas capitais do país).

Então, o que o brasiliense precisa não é de oposição. É de pessoas conscientes de que uma cidade que cresce precisa de planejamento, pois ao contrário, o que veremos são cada vez mais “arranjos” que não trazem benefícios aos moradores, mas certamente muitos ganhos para poucos, como ocorreu com Vicente Pires.

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