Elisabelferriche's Blog

setembro 2, 2014

Para onde vão nossos doentes mentais?

 

Cadu

A história de Cadu, ou Carlos Eduardo Sundsfeld Nunes, reflete o descaso do governo com a saúde mental no Brasil. Em 2001, quando foi promulgada a lei que implantou a reforma psiquiátrica, que pretendia construir um novo modelo de política de saúde mental, possibilitando um tratamento mais humanizado aos doentes, os leitos psiquiátricos foram gradativamente desativados. Os doentes passaram a ser tratados em casa ou nos Centros de Atendimento Psicossocial (Caps), que não possuem internação, nem são suficientes para a quantidade de doentes.

Só quem convive com um esquizofrênico, um bipolar ou um depressivo sabe o que é dormir com medo de não acordar por temer que seu parente em crise mate um dos familiares enquanto dorme. Doenças mentais não tem cura, ficam sob controle quando os medicamentos ministrados são tomados regularmente.

Cadu tem família, mas quem garante que os pais controlam os medicamentos que ele deveria tomar diariamente?

Quando matou o cartunista Glauco Vilas Boas e do filho dele, Raoni Vilas Boas, Cadu estava em crise. Não foi condenado exatamente porque foi diagnosticado com esquizofrenia. Livre do tratamento matou de novo. Duas outras pessoas foram vítimas dele. Cadu sabe o que fez? Provavelmente não!

A juíza que concedeu liberdade, no ano passado, a Cadu, hoje com 29 anos, diz que não se arrepende da decisão. “Tomei todas as precauções que estavam ao meu alcance, os relatórios, os laudos médicos. Não acho que foi erro”, disse Telma Aparecida Alves, da 4ª Vara de Execuções de Goiânia, em entrevista coletiva nesta terça-feira (2).

Os médicos garantiram que a doença estava “controlada”. Mas Cadu fazia uso de drogas. Não é preciso ser médico para conhecer os efeitos da droga no organismo de uma pessoa sã. Imagina em um doente mental?

O caso de Cadu é só um alerta. Existem muitos Cadus pelo Brasil. No último dia 13 de maio, José Maria Alves Batista, chacareiro de 53 anos, foi morto a golpes de enxada pelo próprio filho de 23 anos. A mãe do rapaz informou à polícia que o filho era doente mental. O crime aconteceu na comunidade de Baixada Quente, em Teófilo Otoni (MG).

Outro caso ocorreu em Limoeiro, no dia 15 de fevereiro último. Paulo Sergio da Silva de 44 Anos, que é doente mental, matou a mãe em casa a pauladas. Maria da Paz Araújo Silva tinha 72 anos e foi morta na cozinha.

Todos os casos são de doentes mentais que estavam sendo tratados em casa, junto a seus familiares. Essa é a ideia da reforma psiquiátrica do Brasil. Tratar os doentes em casa e não em hospitais psiquiátricos com pessoal capacitado, experiente que acompanhe o tratamento, fiscalize a medicação e evite que eles se aproximem das drogas, como o caso do Cadu.

Ninguém é a favor de manicômios (que no Brasil se transformaram em depósitos de doentes mentais). Mas ao invés de melhorar o que era ruim, o governo optou por exterminar os hospitais, leitos acabar com a internação. O resultado dessa medida são assassinatos dentro de casa e presídios cheios de doentes mentais que não tem pra onde ir.

1 Comentário »

  1. Me desculpe mas nao concordo com sua opinião. Trabalho com doentes mentais ha 8 anos e desconheço essa agressividade de que vc esta falando. A sociedade, dita “normal” é que na maioria das vezes hostiliza o psicotico. Existe lugar para o doente mental sim, e este é na sociedade, no convívio com a família, na escola é no trabalho. Segregar nao é terapeutico. Existes varios dispositivos para acolhimento a estes usuários: CAPS, residencias terapeuticas, Centros de Convivencia, etc. Procure saber sobre a portaria 3088 do Ministerio da Saude

    Comentário por Érica — setembro 4, 2014 @ 11:07 pm | Responder


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